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“Há pessoas invisíveis mas que são o oxigénio e o sangue dos tribunais” – Jornal de Noticias – 25fev2023

António Marçal Presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais revela que oficiais não ganham horas extra mesmo quando trabalham até à meia-noite

COM JULGAMENTOS adiados e inúmeras diligências paradas, os tribunais têm funcionado, desde dia 15 de fevereiro, em serviços mínimos, devido à greve dos funcionários judiciais. Firme nas reivindicações, António Marçal, presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais, promete prolongar a paralisação caso não haja acordos com o Governo, mas mantém a esperança na construção de entendimentos.

Quais são as reivindicações do sindicato?
Os nossos cidadãos têm de entender que o funcionamento da Justiça não se basta com juízes, com procuradores e com advogados. Há umas pessoas que parecem que são invisíveis, mas que são o oxigénio e o sangue dos tribunais. Exigimos uma revisão do estatuto que tarda, que devia ter sido feito aquando da revisão dos estatutos de juízes e procuradores, aquando da reorganização do mapa judiciário. Escava assumido pelo poder de então. Era necessário uma reorganização funcional para que se otimizasse o funcionamento da Justiça e isso não aconteceu. Temos uma carreira que está congelada há mais de 20 anos e muitos trabalhadores ainda estão na base da pirâmide. Estão a desempenhar funções de uma categoria acima, mas não ganhando por essa categoria. Continuam a ganhar cerca de mil euros.

Tal como os professores, há oficiais que são obrigados a trabalhar longe de casa?
Um grande número de funcionários, que até são do Norte ou do Centro do país, estão deslocalizados. Por exemplo, nas comarcas do Lisboo ou de Faro. Depois de pagarem o quarto ou um apartamento, pouco lhes sobra para uma vida com alguma dignidade. Um bocadinho à semelhança dos professores ou dos polícias. Isto é uma questão que é transversal em parte da administração pública. Mas no nosso caso piora porque, efecivamence, nós não tivemos nenhum as promoções.  E temos tido um aumento da idade da aposentação de cerca de 12 anos.

Iam para a reforma antes da idade prevista?
Para os pessoas entenderem que isto não em nenhum privilégio, os oficiais de Justiça não ganham um único cêntimo para além da hora. Isto é, a partir das 17.30 horas, quando o tribunal fecha, os pessoas continuam a trabalhar muitas vezes mais sete ou oito horas, e não ganham nada. Há um dever de  permanência, um dever de assiduidade, e há também um sentido de responsabilidade de todos os oficiais de Justiça, porque estão em causa diretos, liberdades e garantias dos nossos concidadãos. Durante muitos  anos, esta situação tinha como contrapartida um acerto de contas. Em vez de ser feito no final do mês,
era feito ao fim de 36 anos de trabalho. Então, o Ministério da Justiça entendia que. por essa disponibilidade, por esse trabalho a mais, nós tínhamos uma redução do tempo de trabalho necessário à aposentação. Era um crédito, acertado no final da vida profissional. Isso acabou, mas não houve compensação.

O pré-aviso de greve vai até 15 de março, mas pode prolongar-se?
Eu queria não estarem greve no dia 15 de março. Quando nós dizemos que estamos disponíveis para  um processo de negociação, estamos de boa-fé. Queremos ser parte da solução. Mas têm de existir medidas concretas. Fomos chamados de urgência ao Ministério e o Secretário de Estado disse-nos que iria desencadear um conjunto de mecanismos. Dissemos ao senhor Secretário de Estado que podia contar connosco, mas teria de haver medidas concretas. Ele não pode apenas anunciar que vai descongelar as promoções. Isso não. Queremos garantias de que vai ser mesmo assim. •

in Jornal de Noticiais – 15.fev.2023

Greve na Justiça já adiou mais de mil diligências – CMJornal

Protesto dos funcionários judiciais começou a 15 de fevereiro e prolonga-se até 15 de março.

Tribunal

Mais de mil diligências nos tribunais foram adiadas devido à greve dos funcionários judiciais. Os dados foram revelados ao CM por António Marçal, presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais, que dá o exemplo da Comarca de Leiria, onde o protesto afetou a realização de mais de 100 diligências.

A greve, que começou a 15 de fevereiro e decorre até 15 de março, abrange diligências/ audiências de discussão e julgamento, registo de alguns atos contabilísticos e atos relativos aos pedidos de registo criminal. Os funcionários podem fazer greve durante todo o dia, por meio dia e nos dias que entendam. No entanto, esta greve não prevê a ausência ao serviço – os funcionários terão de fazer os atos não abrangidos no pré-aviso de greve. António Marçal explica que o protesto é para continuar após 15 de março. “Será entregue outro pré-aviso de greve, a outros atos, que durará um mês”, concretiza.

O protesto pretende a resolução de várias exigências, como o preenchimento integral dos lugares vagos da carreira de Oficial de Justiça, a abertura de procedimento para acesso a todas as categorias cujos lugares se encontrem vagos, a inclusão no vencimento do suplemento de recuperação processual, com efeitos a 1 de janeiro de 2021, a inclusão dos funcionários num regime especial de aposentação e de acesso ao regime de pré-aposentação, e a revisão do estatuto profissional.

CARREIRA ESPERA
O início da fase instrutória do processo do acidente na A1 que vitimou a cantora Sara Carreira, no Tribunal de Santarém, foi uma das diligências adiadas devido a esta greve dos funcionários judiciais.

DOIS ADIAMENTOS
A leitura do acórdão do julgamento do processo ‘E-Toupeira’ foi adiada duas vezes devido à greve. A decisão, em que o ex-assessor do Benfica Paulo Gonçalves foi condenado, só foi conhecida no dia 23 deste mês.

in  CMJornal – https://www.cmjornal.pt/sociedade/detalhe/-greve-na-justica-ja-adiou-mais-de-mil-diligencias

Funcionários judiciais prometem manter a greve – Alegações finais – Jornal de Noticias

 

No “Alegações Finais” desta semana, o presidente do SFJ, António Marçal, mostra abertura para negociar acordos com o Governo, mas promete ser firme nas reivindicações e prolongar a greve se for necessário.

in Jornal de Noticias – https://www.jn.pt/justica/especial/videos/funcionarios-judiciais-prometem-manter-a-greve-15891557.html

Sem o devido reconhecimento – Correio da Justiça – CM

É do senso comum que a desvalorização profissional afeta negativamente a empresa.

O Oficial de Justiça vê-se atualmente numa situação onde não recebe o devido reconhecimento pelas suas habilidades, competências e responsabilidades inerentes à função. Existe uma insatisfação generalizada preconizada pela acentuada desvalorização profissional e, um profissional desvalorizado é infeliz.

Sabe-se que, as principais causas da desvalorização profissional, são o pensamento corporativo e a substituição do líder pelo chefe.

No pensamento corporativo o individuo é visto como um número, é mais uma peça na engrenagem, não interessam os anseios, sonhos e qualidades daquele ser humano, porque é visto como uma máquina.

Nos tribunais, gastaram-se uns bons milhares de euros a instituir o “método Kaizen”, que foi inicialmente utilizado numa fábrica de automóveis no Japão, ou seja, um método de linha de montagem. Apesar das chamadas de atenção de alguns líderes, a insistência por parte da administração em continuar com o programa venceu.

É bastante claro, que o fim da desvalorização dos trabalhadores da Administração Pública não é uma prioridade do governo

in Correio da Manhã – Correio da Justiça – 22.fev.2023 

Greve adia decisão sobre E-Toupeira. “Bola está do lado do Governo”

Associação Sindical dos Juízes Portugueses considera que aquilo que “os funcionários reivindicam é razoável e justo”.

 Foto: Carlos Barroso/Lusa
Foto: Carlos Barroso/Lusa

O presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), Manuel Soares, reconhece que as greves dos funcionários judiciais têm provocado adiamentos de muitas diligências, mas “a bola está do lado do Governo”.

A leitura do acórdão do caso E-Toupeira, em que são arguidos o antigo assessor jurídico do Benfica Paulo Gonçalves e dois funcionários judiciais, José Augusto Silva e Júlio Loureiro, foi esta segunda-feira adiada pela quinta vez, devido à greve destes trabalhadores.

Em declarações à Renascença, o presidente da ASPJ não comenta casos judiciais concretos, mas diz que cabe ao Governo chegar a um acordo com os funcionários judiciais.“Não vou comentar adiamentos que têm a ver com razões processuais, porque tenho pouco conhecimento e porque não quero estar a comentar um caso que está pendente. Em relação às razões externas, ou seja, dois adiamentos por greve dos funcionários judiciais, as greves é suposto causarem embaraço. A greve dos funcionários judiciais tem provocado o adiamento de muitas diligências, esta e muitas outras. Acho que a bola está do lado do Governo, e era importante que, muito rapidamente, se conseguisse pôr termo a isto, porque situações como esta vão-se repetir”, afirma Manuel Soares.

O presidente da Associação Sindical dos Juízes diz que o Governo tarda em encontrar uma solução para o Estatuto dos Funcionários de Justiça e considera que se trata de uma justa reivindicação.

“O Estatuto dos Funcionários de Justiça está em negociação há três ou quatro anos. E, portanto, quanto mais tardar a solução para esse problema, mais frequentes hão de ser os adiamentos e os atos processuais que ficam sem efeito e que não se fazem. Portanto, não há uma relação de causa e efeito direta mas, como é evidente, a greve e as razões que levam ao decretamento da greve são uma das causas da lentidão de alguns processos”, sublinha.

A greve está a ser uma espada da justiça? “Não sei se é a espada ou se é a venda”, responde Manuel Soares.

“A greve é um direito que os funcionários têm. E, no caso concreto, aquilo que os funcionários reivindicam é razoável e justo. Portanto, não vejo razão nenhuma para se perpetuar esta situação de conflito nos tribunais e a incerteza das pessoas que vão para o tribunal a contar que se vai fazer um ato processual qualquer e, depois, chegam lá e o funcionário está de greve e voltam para casa. E depois ninguém lhes garante que amanhã não voltam lá outra vez e não acontece a mesma coisa”, conclui o presidente da Associação Sindical dos Juízes.

In rr.sapo.pt – 20fev2023 – https://rr.sapo.pt/noticia/pais/2023/02/20/greve-adia-decisao-sobre-e-toupeira-bola-esta-do-lado-do-governo/320897/