Desde 2020 que os oficiais de justiça vivem presos num ciclo que parece não ter fim. Mudam os dirigentes, mudam os protagonistas, mudam os discursos, mas os problemas permanecem. Como um bumerangue, tudo acaba por regressar ao ponto de partida. Enquanto observam a cadeira do poder à distância, sucedem-se as declarações de solidariedade. Reconhecem-se as injustiças, denunciam-se as desigualdades, prometem-se soluções e assegura-se que os oficiais de justiça deixarão finalmente de ser esquecidos. Fala-se frequentemente da necessidade de valorizar os trabalhadores públicos. Contudo, essa valorização não pode ser seletiva. O princípio da igualdade não deve conhecer carreiras de primeira e de segunda categoria. As temperaturas elevadas fazem-se sentir por todo o país. Mas há um calor que se distribui de forma ainda mais uniforme: o da responsabilidade e do serviço público prestado por todos os trabalhadores do Estado. O bumerangue continuará a fazer o seu percurso. Os rostos mudarão. O que os oficiais de justiça esperam é que, desta vez, quando o bumerangue regressar, traga consigo mais do que palavras. Traga justiça para quem, todos os dias, ajuda a administrá-la.


