Anteontem, 5 de janeiro, foi publicado o Movimento Extraordinário dos oficiais de justiça. Pessoas que pediram transferência, escolheram destinos e se reorganizaram para outra vida. Em teoria, iam finalmente sair dos locais onde já não conseguiam continuar. Mas nem vão chegar a tomar posse no novo tribunal, porque já estão a ser avisados: serão recolocados onde estavam, por falta de pessoal. Isto não é gestão. É improviso com carimbo.
Ontem foi Dia de Reis e a comparação impõe-se. Há quem ande há anos a seguir uma estrela, à espera de um presente simples: mobilidade com respeito. Mas quando a prenda chega, vem embrulhada ao contrário. Não é ouro, incenso e mirra. É chumbo.
Então para quê abrir movimentos? Para quê criar expectativa de mudança, se o sistema pode obrigar alguém a ficar? O funcionário escolhe, mas o serviço manda, e a Justiça continua a funcionar à custa de quem já está no limite, com secretarias exaustas e balcões a segurar uma máquina sem peças de substituição. Os processos não andam sem oficiais de justiça. Mas a solução não pode ser prender pessoas ao posto como se fossem móveis. A Justiça quer rapidez, mas trata quem a mantém de pé como descartável.



