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O rosto humano da Justiça – Entre Justiça e a Humanidade – CMJornal

Nos Oficiais de Justiça, não decidimos processos nem de terminamos quando ou como uma situação se resolve. Mas somos, muitas vezes, o primeiro rosto e a primeira voz que uma vítima encontra. Ao longo dos anos, aprendi que o nosso papel vai muito além da tramitação processual. Somos o ouvido que escuta um pedido de ajuda, a mão que se estende sobre o balcão para explicar em que ponto está um processo, a presença que transmite, sem juridiquês, que alguém se importa. O tempo da Justiça raramente acompanha o tempo da vida das pessoas. Por isso, tantas vezes, o primeiro alívio não chega com uma decisão, mas com a certeza de que alguém acompanha aquele caminho. Muitas vítimas regressavam apenas para saber notícias e, antes de sair, repetiam: “Obrigado por me ter ouvido.” Não somos apenas técnicos do processo. Somos também o rosto humano da Justiça. E essa humanidade, tantas vezes invisível, pode fazer toda a diferença para quem já quase perdeu a esperança.

13 de agosto de 2026 – DRE

Entre o anúncio e a realidade – Correio da Justiça – CMJornal

O Ministério da Justiça continua a anunciar o reforço e a valorização da carreira de Oficial de Justiça. O SFJ gostaria de festejar, mas a comunicação não pode substituir a realidade. O acordo sobre ingressos, promoções e chefias foi assinado a 13 de abril e, quatro meses depois, o diploma que lhe devia dar execução continua por publicar. O anterior já previa promoções até 30 de junho. Nada aconteceu. A distância entre aquilo que se anuncia e aquilo que se concretiza tornou-se estrutural. Não é por estarmos em época estival que os direitos entram de férias. A 1 de setembro regressam processos, prazos e exigências, mas os serviços continuam à míngua: sem ingressos, sem promoções, sem chefias, sem correções, sem mapas de pessoal e sem execução dos compromissos assumidos. Os inquéritos acumulam-se e os seus efeitos já chegaram aos ecrãs de televisão. Anunciar não é cumprir. Fotografias não são resultados. O SFJ mantém a mesma posição desde o primeiro dia: cumprir o acordado, corrigir o que está errado e respeitar quem garante, diariamente, o funcionamento de um órgão de soberania. A Justiça só será justa quando também o for para quem nela trabalha.