Tecnologia, sim! Mas com quem? – Correio da Justiça – CMJornal

Anuncia-se a modernização da Justiça. Processos sem papel, plataformas digitais, inteligência artificial. Há, porém, uma contradição que ninguém quer nomear: não se moderniza um sistema ignorando quem o sustenta. Os Oficiais de Justiça já trabalham com novas ferramentas. Adaptaram-se ao processo eletrónico, às plataformas digitais, às exigências crescentes de um sistema em permanente mudança, muitas vezes sem formação suficiente, sem equipamentos adequados e sem reconhecimento. A inteligência artificial pode ser um avanço real, se vier acompanhada de formação, de infraestruturas funcionais e de uma carreira que motive quem fica. Sem estas condições, será mais uma reforma que chega tarde, funciona mal e deixa os profissionais a resolver sozinhos os problemas que a tecnologia criou. O risco é conhecido: usar a inovação como pretexto para não contratar e não valorizar é uma forma sofisticada de degradar o serviço público sem o assumir. Os Oficiais de Justiça não têm medo da tecnologia. Têm medo de um Estado que a usa para se substituir a si próprio, sem reconhecer que, no fim, será sempre o cidadão a pagar o preço da máquina que falha sem ninguém para a corrigir.

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