Os tribunais não são números – Correio da Justiça – CMJornal

A Justiça enfrenta hoje desafios que exigem visão, planeamento e capacidade de adaptação. A evolução tecnológica, a digitalização e o surgimento de novas ferramentas, incluindo a inteligência artificial, vieram abrir oportunidades que não podem ser ignoradas. Mas, por mais sofisticada que seja a tecnologia, continua a ser impossível medir numa folha de cálculo a experiência, o discernimento e o conhecimento acumulado de quem assegura diariamente o funcionamento da Justiça. Num momento em que é reconhecida a existência de reflexões sobre uma eventual revisão dos mapas de pessoal dos tribunais, importa colocar algumas questões. Que critérios foram utilizados? Que impacto foi atribuído à evolução tecnológica? Que peso teve o envelhecimento da carreira? Que realidade foi encontrada? E, sobretudo, quem participou nessa reflexão? Um mapa de pessoal não é apenas uma tabela administrativa. Traduz-se em capacidade de resposta, organização dos serviços, condições de trabalho e proximidade com os cidadãos. Modernizar a Justiça é uma necessidade. Mas nenhuma reforma produzirá os resultados desejados se olhar apenas para os números e esquecer as pessoas.

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