O perigo e o dever profissional – Entre Justiça e Humanidade – CMJornal

Há profissões em que o perigo faz parte do trabalho. A de oficial de justiça é uma delas, embora nem sempre o recordemos ao sair de casa. Numa diligência externa, mandatada para entrar na casa de um executado e proceder à penhora, ouvi uma ameaça que me gelou o sangue: iriam buscar uma arma se eu não saísse. Senti medo. Mas representava a Justiça e tinha um dever a cumprir. Mantive-me firme, procurando que o bom senso prevalecesse. A esposa do executado interveio, chamou-o à razão e deixou-me entrar. Mostrou documentos que comprovavam que a casa e o recheio pertenciam à filha. Lavrei o auto e sugeri o pagamento da dívida em prestações. Só quando regressei ao carro é que as pernas começaram a tremer. Mais tarde, soube que aquela mulher deixara no tribunal um pedido de desculpas e efetuara o pagamento. Nesse dia, o dever falou mais alto do que o medo. Aprendi que a firmeza não dispensa o respeito e que uma intervenção humana pode fazer toda a diferença. Se aquela esposa não tivesse intervindo, talvez eu não estivesse aqui hoje para contar esta história.

 

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