O sistema judicial arrecadou 232 milhões de euros em custas em 2025. O cidadão paga e a empresa paga, e do outro lado está o oficial de justiça a garantir que o processo avança, que a notificação chega a tempo, que a penhora é cumprida, que o mandado é executado dentro do prazo que a Constituição consagra. É disso que se trata. Os oficiais de justiça não gerem papéis. Asseguram direitos, liberdades e garantias. São quem garante que os prazos não se tornam em injustiça, que o acesso à justiça não fica apenas escrito na lei. É uma responsabilidade que se exerce todos os dias, em silêncio, sem reconhecimento proporcional. E Portugal chegou ao mínimo histórico desta classe em duas décadas. Sem concursos de promoção desde 2015, com a maioria das chefias em substituição porque nunca houve condição para formar quem liderasse a seguir, enquanto a digitalização avançava e a complexidade de funções crescia sem parar. Em agosto, o estatuto que regula esta carreira faz 27 anos, remendado ao longo do tempo sem compromisso nem visão de futuro. Tornar melhor o sistema judiciário não é um campeonato de medalhas. É a restituição da justiça a quem a perdeu.
