Descentralizar é preciso! – Correio da Justiça – CMJornal

A descentralização do primeiro curso para juízes para fora de Lisboa é mais do que um pormenor logístico: é um sinal de que o Estado pode aproximar-se do país real. Quando se quebra a ideia de que tudo tem de acontecer na Capital ganha-se coesão, evitam-se ruturas pessoais, reduzem-se custos e melhora-se a resposta.
Mas a descentralização não pode ficar por aqui. A mesma lógica tem de chegar às condições de trabalho, aos edifícios e aos recursos humanos. Não há eficiência possível quando a Justiça funciona em regime de remendo. E quando falamos de condições, falamos disto: na semana passada, em Vila Franca de Xira, colegas da secção central tiveram de abandonar o contentor onde trabalham devido a um cheiro nauseabundo, provocado por ratos mortos.
É impossível pedir qualidade, celeridade e serenidade num espaço insalubre.
Se descentralizar é virtuoso, descentralize-se também a atenção e o investimento, para que a Justiça não seja moderna apenas nos anúncios, mas sobretudo no terreno.

Share This