Decidir é proteger a justiça – Correio da Justiça – CMJornal

A justiça portuguesa enfrenta há anos dificuldades que já ninguém contesta, como a falta de atratividade na carreira, a escassez de profissionais e a crescente pressão sobre os tribunais. Este não é um problema abstrato; tem impacto direto na vida dos cidadãos e no acesso à justiça que merecem. As recentes negociações com a tutela mostram-se exigentes, como se impunha, mas revelaram sinais de abertura que importa reconhecer. Há hoje condições para construir soluções equilibradas que respondam a bloqueios antigos, que prejudicam a carreira e enfraquecem o sistema. Esse caminho não depende apenas da direção sindical; exige responsabilidade coletiva e capacidade de decisão. Adiar ou desperdiçar oportunidades tem custos reais, e esses custos recaem sobre o funcionamento da justiça, sobre os cidadãos e sobre quem nela trabalha todos os dias. O momento exige firmeza e sentido de compromisso. Firmeza na defesa do que ainda falta conquistar, compromisso para não deixar que impasses conhecidos se tornem permanentes. A justiça não pode ficar refém de bloqueios que todos identificam e que o país já não pode prolongar.

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