A recente calamidade climática apanhou o país “de surpresa”. Chuva intensa, estradas cortadas, casas inundadas, decisões tomadas à pressa. O ritual do costume! Mas, nos tribunais, a verdadeira calamidade não começou agora, apenas ficou impossível de esconder. Enquanto muitos funcionários tentavam salvar as próprias casas, aguardavam orientações que tardavam. Suspensões de prazos anunciadas fora de tempo, dúvidas sobre faltas, burocracias acumuladas como lama. Pessoas divididas entre proteger a família e manter a Justiça a funcionar. E que Justiça é essa? Edifícios onde chove dentro há anos, paredes cobertas de bolor, humidade entranhada, riscos elétricos ignorados. Um sistema que vive permanentemente na última hora, onde se remenda o urgente e se adia o essencial, como se a improvisação fosse política pública. A natureza não se controla. A ausência de planeamento, apesar dos avisos repetidos sobre o estado dos edifícios e sobre o que estava para vir, controla-se. Entre o temporal e a inércia administrativa, os tribunais continuam a funcionar como sempre: em calamidade permanente, à última da hora, sem estratégia e à custa de quem lá trabalha.
