Há lutas que são de todos, porque põem em causa o que é de todos: o trabalho digno.

 

SFJ presente na Marcha Nacional contra o Retrocesso Laboral

Em defesa dos direitos dos trabalhadores e da Constituição

O Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) marcou presença na Marcha Nacional contra o Pacote Laboral, realizada a 8 de novembro, em Lisboa, juntando-se à mobilização convocada pelas centrais sindicais CGTP-IN e UGT, que reuniu milhares de trabalhadores de todo o país.

Apesar do processo negocial em curso relativo ao Estatuto Profissional, o SFJ fez questão de estar na rua, porque a defesa dos direitos laborais não é setorial, é estrutural. Quando se põe em causa o direito à greve, a negociação coletiva ou a estabilidade laboral, o que está em risco é o equilíbrio democrático que sustenta o Estado Social.

Na intervenção realizada previamente na Conferência Sindical Contra o Retrocesso Laboral, o SFJ alertou para o verdadeiro alcance das propostas do Governo, que se apresentam sob a linguagem da “modernização” e da “flexibilização”, mas que significam, na prática:

  • Normalização do sobretrabalho, generalizando horários prolongados e isenções;
  • Retorno à precariedade, com contratos curtos, intermitentes e vínculos frágeis;
  • Bloqueio das progressões, desvalorizando carreiras e experiência profissional;
  • Facilitação do despedimento, substituindo reintegrações por compensações financeiras;
  • Fragilização da negociação coletiva, permitindo a caducidade unilateral das convenções;
  • Esvaziamento do direito constitucional à greve, tornando-a um ato simbólico sem impacto real.

Estas medidas não atingem apenas o setor privado: abrem caminho para interferir diretamente no regime da Administração Pública, incluindo carreiras especiais como a dos Oficiais de Justiça.

Solidariedade não é retórica: é condição de resistência

Como sublinhado na intervenção do SFJ:

“O que hoje parece um problema dos outros, amanhã é problema nosso.”

O SFJ esteve na marcha porque a dignidade no trabalho é indivisível. A força dos trabalhadores depende da capacidade de reconhecer causas comuns, mesmo quando as lutas específicas seguem calendários diferentes.

A mobilização continua

A marcha de dia 8 foi um passo importante, mas não encerra o processo. Dado o avanço persistente das propostas governamentais, as centrais sindicais CGTP-IN e UGT anunciaram uma Greve Geral para 11 de dezembro.

O SFJ reafirma o seu compromisso com:

  • A defesa da dignidade laboral e das carreiras públicas;
  • A garantia do direito à greve enquanto instrumento constitucional de resistência;
  • A valorização de quem assegura a Justiça todos os dias, em todo o país.

A Justiça é feita por pessoas. E essas pessoas merecem condições dignas para servir o Estado e os cidadãos.

Não aceitaremos retrocessos.

Estamos onde sempre estivemos: do lado dos trabalhadores.

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