Ao longo da minha carreira como Oficial de Justiça, vivi momentos que jamais esquecerei. Um deles aconteceu durante uma diligência num processo de averiguação de paternidade. Um homem, com cerca de 45 anos, aguardava com visível ansiedade o resultado dos exames que permitiriam esclarecer se era o pai de uma criança. Quando foi confirmado que os testes genéticos demonstravam a sua paternidade, o seu rosto transformou-se. Os olhos encheram-se de lágrimas e, num gesto tão espontâneo quanto comovente, aproximou-se de mim e abraçou-me com uma felicidade difícil de descrever. Naquele instante, não havia formalismos, processos ou números. Havia um homem que acabara de receber uma das notícias mais importantes da sua vida: era pai! Retribuí aquele abraço, consciente de que estava a testemunhar um momento profundamente humano. A Justiça não se resume a leis, decisões e procedimentos. Também é feita de emoções, de histórias de vida e de afetos. Naquele dia, um exame esclareceu uma verdade biológica. Mas foi um abraço que me recordou que, por detrás de cada processo, existem pessoas. E é por elas que a Justiça existe.
