(Re)colocações kafkianas – Correio da Justiça – CMJornal

Há um nome para isto: kafkiano. Todos os anos, os oficiais de justiça podem candidatar-se a mudar de tribunal. É esse concurso, chamado movimento, que decide onde cada um trabalha. Só que há quem concorra a um tribunal, não consiga vaga e continue à espera. Há quem, sem nunca ter concorrido àquele tribunal, acabe a trabalhar durante longos anos numa colocação provisória que nunca termina. É aqui que se torna kafkiano. Um trabalhador concorre, não obtém vaga, e aparece preenchida no papel por outra pessoa que, na prática, nunca ali exerceu porque foi colocada noutro sítio. Passam-se anos e a situação mantém-se provisória, sem nunca se resolver; como um processo há anos sem sentença. Quem espera pelo concurso para ir para onde quer fica a olhar para um lugar que existe no papel. Quem está colocado provisoriamente sabe que ali ficará, mesmo sem essa ser a colocação formal, porque ninguém esclarece por quanto tempo. Não é uma falha pontual. É um mecanismo que se instalou e que transforma o provisório em permanente sem que ninguém o decida abertamente. São pessoas, com vidas e expectativas, à espera de uma decisão que a administração parece preferir adiar.

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