Suspeitos da “Máfia do Oeste” já estão no tribunal

26/10/2010 | Recortes de Imprensa

As audições vão decorrer ao longo da tarde, não sendo previsível que se
conheçam hoje eventuais medidas de coação, já que as sessões com os
italianos terão de ser traduzidas.

O interrogatório
aos seis arguidos detidos pela Polícia Judiciária (PJ) no âmbito da
operação "Máfia do Oeste" recomeça esta tarde em Leiria. Os suspeitos
aguardam a conclusão de outro processo para começarem a ser ouvidos.

Os
dois portugueses, que se encontram em liberdade, chegaram ao Tribunal
de Leiria por volta das 13:45 acompanhados por familiares. A brasileira,
também detida na quinta feira, entrou com o seu advogado.

A
mulher vai ser ouvida pelo juiz de instrução criminal, para memória
futura, no âmbito do mesmo processo, mas como testemunha. O magistrado
vai ainda decretar-lhe as medidas em que incorre por estar ilegal em
Portugal.

Os quatro italianos chegaram por volta das 14:30, hoje
já sob algumas medidas de segurança, tendo sido escoltados pelo Grupo de
Intervenção de Segurança Prisional, ao contrário do que sucedeu nos
últimos dias.

Os arguidos, que conheceram no sábado os factos por
que estão indiciados, vão informar o juiz de instrução criminal se
pretendem prestar declarações.

As audições vão decorrer ao longo
da tarde, não sendo previsível que se conheçam hoje eventuais medidas de
coação, já que as sessões com os italianos terão de ser traduzidas por
uma intérprete que se encontra dentro da sala de audiências.

O
vice-presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais, Augusto Neves,
deslocou-se hoje ao Tribunal de Leiria preocupado com a alegada falta de
segurança que envolve os suspeitos italianos.

Em declarações
proferidas momentos antes da entrada dos arguidos, Augusto Neves
estranhou que "em situações com menor envolvência tivessem tratamento
diferenciado" e neste caso não exista "nenhuma polícia, nem corpo de
intervenção".

O dirigente salientou também que "o próprio tribunal
não dispõe de nenhum sistema de controlo de entradas", pelo que "não há
nada que permita garantir a segurança com alguma razoabilidade".

Augusto Neves referiu ainda a falta de pagamento de horas extraordinárias aos funcionários judiciais.

Os
arguidos são suspeitos da prática dos crimes de burla qualificada,
furto e viciação de veículos, receptação, associação criminosa e
branqueamento de capitais, segundo a PJ, que lhes apreendeu "diversos
veículos, vários computadores e pens, muita documentação comercial,
carimbos de firmas clonadas e uma arma de fogo".

A Judiciária
indicou, também, que um dos detidos italianos tem pendente um mandado de
detenção europeu, "por estar ligado à máfia siciliana", e faz parte de
um grupo de cerca de trinta pessoas que foram presas na Sicília.

Uma
outra fonte disse à agência Lusa que o italiano sobre quem pende o
mandado de detenção europeu é Giovanni Lore, suspeito de ser um dos
líderes da máfia siciliana.

in DN


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