Posição do SFJ sobre a demissão em bloco do Grupo de Projeto Habilus/Citius

O SFJ tem acompanhado, e não só de agora, o processo de informatização dos tribunais, vendo com preocupação, que em devido tempo transmitiu ao governo, o não aproveitamento do saber dos oficiais de justiça que desenvolveram as aplicações que têm permitido um aumento de eficiência e produtividade nas secretarias judiciais.

Reunimos com os funcionários do grupo de projeto Habilus/Citius, sedeados em Coimbra, onde pudemos ouvir de viva voz as suas preocupações e angústias face à postura de ostracização a que a tutela os tinha vindo a submeter, continuando todavia a dedicar todo o seu saber e empenho no desenvolvimento das aplicações informática, reconhecida unanimemente como aliás são testemunho público as sucessivas resoluções do Conselho de Ministros, louvando os bons resultados atingidos (vide as Resoluções 106/2007, 66/2008 e 34/2009).

E, nessa reunião, foram-nos transmitidas algumas notas, que consideramos importante dar a conhecer e que estão na base do pedido de demissão que efetuaram, na defesa dos oficiais de justiça que compõem este grupo, na sua larga maioria associados deste sindicato:

  1. O facto de, desde que a atual equipa ministerial tomou posse, há cerca de ano e meio, que vinham sendo completamente ignorados pela tutela. E, apesar questionarem essa situação, quer devido ao desconforto que ela provocava, quer devido a necessidades decorrentes de situações práticas do dia-a-dia ou decorrentes da publicação de alterações legislativas, a resposta era: «estavam a cumprir ordens superiores».
  1. Apesar de tudo, tentaram aqueles funcionários, ao longo de todo esse tempo, manter a postura e cumprir com as funções que lhes foram atribuídas. E durante esse ano e meio, a pretexto de um tal de paralelismo entre as aplicações H@bilus/Citius e Citius Plus, foram impedidos de fazer qualquer tipo de atualização nos tribunais, quer fosse corretiva, quer fosse evolutiva.
  1. Não foram, no entanto, impedidos de fazer evoluções e correções no âmbito da própria equipa de desenvolvimento (vulgo “trabalhar para aquecer”), o que foi acontecendo, quer por força de alterações legislativas, quer por força do acordo de assistência a Portugal (troika), quer porque havia que corrigir situações de disrupção funcional. Muitas dessas intervenções foram feitas por indicação das próprias estruturas do Ministério da Justiça.
  1. Desse conjunto alargado de intervenções (trabalho de um ano e meio), foram periodicamente sendo enviadas à tutela versões de um relatório incremental descritivo das mesmas. Sem que da tutela viesse qualquer indicação sobre o assunto.
  1. Destas correções/melhorias, que nunca foram colocadas em produção na grande maioria dos tribunais, surgiu a denominada versão piloto, instalada, por indicação do ITIJ, ou por departamentos do próprio ITIJ, nos seguintes tribunais, com os seguintes objetivos:
    1. Juízos Cíveis de Coimbra: para testar o funcionamento da integração do MSWord 2007 com a aplicação e com o sistema operativo Windows XP, no âmbito do acordo ortográfico;
    2. Tribunais Judicial e do Trabalho de Santarém: para testar o funcionamento da integração do MSWord 2010 com a aplicação e com o sistema operativo Windows 7, no âmbito do acordo ortográfico;
    3. Tribunal Judicial de Faro, Tribunal de Família de Coimbra, Tribunal da propriedade Intelectual e Tribunal da Concorrência e Supervisão: para testar a plataforma de atualizações remotas do próprio ITIJ;
    4. Grande Comarca de Lisboa-Noroeste: para resolver um problema de lentidão crónica de que padecem muitos outros tribunais, entre os quais o caso mais grave é o da Comarca do Baixo Vouga.
  1. Durante algum tempo, e até se estabilizar a versão piloto, foram aqueles oficiais de justiça autorizados a fazer atualizações e evoluções para os tribunais onde a mesma está instalada. Recentemente, em finais de 2012, o impedimento relativo a atualizações estendeu-se também a esta versão e a estes tribunais.
  1. Finalmente, no dia 11 de Janeiro de 2013, foram convocados pelo Conselho Diretivo do IGFEJ (ex-ITIJ e ex-IGFIJ) para uma reunião a realizar no dia 18 do mesmo mês. Nessa reunião foi-lhes comunicado um conjunto de alterações que seriam aplicadas com efeitos imediatos ao grupo do projeto.
  1. Foi-lhes ainda comunicado que devido a uma alegada falta de capacidade dos elementos que compõem o grupo, seria feito um concurso público internacional para selecionar uma empresa para implementar o novo mapa judiciário, indo essa selecionar uma das aplicações informáticas disponíveis (H@bilus/Citius ou Citius Plus).

Perante esta situação, o SFJ já pediu a realização, com urgência, de reunião com a senhora Ministra da Justiça, na qual participem também os responsáveis do IGFEJ e da DGAJ.

Reiteramos o nosso total apoio aos oficiais de justiça que, desde o DIT, tem possibilitado os saltos qualitativos de que os tribunais tanto precisam. E lembramos que as aplicações hoje existentes, e que já demonstraram a sua eficácia, foram criadas com recursos internos e com custos que são infinitamente inferiores aos que foram gastos, por exemplo no AGIC ou no Citius Plus.

 

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